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Imigrantes relatam colapso econômico sob o regime chavista e dizem que captura do líder abre caminho para a liberdade
Venezuelanos em Goiânia celebram prisão de Maduro
04/01/2026, às 08:18 · Por Redação
A prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, ocorrida neste sábado (3/1), provocou reações de alívio e expectativa entre venezuelanos que vivem em Goiânia. Para integrantes da comunidade migrante na capital, a prisão de Maduro e da esposa, Cilia Flores, representa a possibilidade concreta de encerramento de um exílio marcado pela crise econômica e social na Venezuela.
Empresário do ramo de alimentação, Carlos Coraspe, de 35 anos, mantém há três anos um restaurante de comida típica venezuelana em Goiânia. Ele avalia a prisão do líder chavista como um ponto de inflexão para o país e para quem deixou o território venezuelano à força.
“A verdade é que, para nós, isso (a prisão de Maduro) está abrindo a porta para a liberdade e a esperança de conseguir voltar ao país. É um passo grande no caminho da liberdade da nossa pátria”, afirmou ao portal Mais Goiás.
Carlos relata que a decisão de migrar para o Brasil esteve ligada à busca por estabilidade e condições mínimas de vida. Segundo ele, problemas cotidianos inviabilizavam a permanência na Venezuela. “A gente procurava um país onde pudesse trabalhar de forma certa, sem se preocupar com a inflação, com a falta de gasolina ou em ficar dias sem água e energia, como acontece na Venezuela.”
Outro imigrante, o entregador Tony Gomez, de 34 anos, vive em Goiás há sete anos e adota um tom mais técnico ao se referir à operação norte-americana. “Não foi uma invasão, foi uma extração”, disse.
Tony afirma que deixou o país em razão da deterioração econômica e rejeita a justificativa de que sanções externas explicam o colapso venezuelano. “Eu tive que sair pela crise econômica. Dizem que foi o bloqueio, mas não foi o bloqueio que roubou o petróleo da Venezuela; foram as pessoas lá dentro que roubaram e fizeram a nossa economia e a nossa indústria ficarem fracas.”
Ele também destacou diferenças institucionais percebidas no Brasil. Segundo Tony, mesmo sob um governo de esquerda, o cenário brasileiro é distinto. “Não se pode comparar nunca o Lula com o Maduro”, afirmou, ao citar o crescimento econômico e a organização que observa em Goiânia.
Apesar da reação positiva à prisão de Maduro, os imigrantes demonstram cautela diante do cenário político na Venezuela, que decretou estado de emergência após ataques em Caracas. Ainda assim, a perspectiva de retorno permanece presente.
“O sonho é sempre voltar para de onde você é, para sua família, para as pessoas e para a nossa comida. O Brasil é ótimo para nós, mas sempre vai ficar a saudade do lugar de onde viemos”, resumiu Carlos Coraspe.
Com familiares espalhados por países como Espanha e Colômbia, Tony compartilha do mesmo desejo. “Pensamos que, daqui a pouco, quando a coisa melhorar um pouquinho, teremos vontade de voltar a morar no nosso país.”
