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Goiânia, 27/02/26
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A história eleitoral de Goiás comprova o quão complicado é para a esquerda. O melhor desempenho do PT goiano se deu no longínquo 2002, quando Marina Sant’anna conseguiu surfar na onda positiva da primeira eleição de Lula

Coluna do Pablo Kossa: O que quer a esquerda goiana?

29/12/2025, às 16:37 · Por Pablo Koss

Eleição estadual para a esquerda goiana tem gosto amargo. Todo militante desta orientação ideológica já sabe que entra em campo para perder de pouco. Como a vitória é algo muito distante, o jogo começa com a ideia fixa de tomar a menor quantidade possível de gols. É difícil arranjar motivação com um cenário tão adverso.

A história eleitoral de Goiás comprova o quão complicado é para a esquerda. O melhor desempenho do PT goiano se deu no longínquo 2002, quando Marina Sant’anna conseguiu surfar na onda positiva da primeira eleição de Lula e fez bonito. Depois disso, mesmo com o Partido dos Trabalhadores vencendo nacionalmente outras quatro vezes, nunca um candidato de esquerda colheu um resultado tão positivo. Mesmo quando se aliou a nomes mais de centro como Barbosa Neto ou Iris Rezende não logrou êxito.

Não é mole ser de esquerda em Goiás.

Na capital é diferente. O PT é forte e tem história em Goiânia. Por três vezes já elegeu o prefeito goianiense. O momento atual é mais complicado, mas a história mostra que a maior cidade do estado tem uma abertura maior para o discurso esquerdista, o que nunca aconteceu no interior do estado.

E 2026 se anuncia como também desafiador. Os caminhos são tortuosos e de consequências difíceis de prever. O PT pode optar por lançar um quadro ideológico que mobilize sua militância, mas enfrentará resistências em eleitores centristas – os de direita terão farto cardápio disponível nas urnas para escolher. Se optar por algo mais ao centro, se coligando com José Eliton do PSB, por exemplo, o PT tem chance de ampliar votos, mas não planta o futuro. Além de deixar desanimado o militante que se orgulha de botar a bandeira da estrela vermelha no carro e ir pras ruas buscar votos.

Por fim, há a hipótese de pegar um medalhão do partido, Adriana Accorsi e Edward Madureira são exemplos disso, e botá-lo na disputa ao Palácio das Esmeraldas. Nomes desse quilate qualificam o debate e mostram que o partido quer ter um palanque bonito para Lula em Goiás. O problema é que assim corre o risco de perder um puxador de votos relevante na composição da bancada petista na Câmara dos Deputados.

Percebem a encruzilhada que o PT está metido? E não é fácil encontrar um caminho nesse cenário.

Com essas três cartas na mesa, a tendência maior é pegar o primeiro caminho, chuto eu. O PT não perderia nomes fortes na disputa pra deputado federal e também não dá palanque para alguém que em novembro já pode ter aderido ao candidato vencedor.

Mas, como já disse, trata-se um chute que dou.

Você aposta suas fichas em qual caminho para o PT em Goiás?


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