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Goiânia, 12/01/26
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Divulgação - Secom Goiás

Iniciativa amplia a participação do Estado para assegurar sustentabilidade financeira e melhoria contínua dos serviços na Região Metropolitana de Goiânia. Projeto de lei que trata do tema também foi aprovado em segunda votação na Alego

Reestruturação do modelo de gestão do transporte coletivo é aprovada pela CDTC

24/12/2025, às 07:27 · Por Redação

A Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) aprovou, na manhã desta terça-feira (23/12), durante a 3ª reunião extraordinária, a Deliberação nº 21/2025, que propõe a reestruturação do modelo de governança do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (RMG). A medida trata do fortalecimento institucional da câmara, de ajustes na governança do sistema e da regularização de aspectos financeiros relacionados à revisão tarifária.

A deliberação foi aprovada após votação que registrou quatro votos contrários do município de Goiânia, um voto contrário de Senador Canedo, quatro votos favoráveis do Estado de Goiás e o voto favorável do município de Aparecida de Goiânia. Diante do empate, coube ao presidente da CDTC o voto decisório, que definiu pela aprovação da matéria. A iniciativa reforça o protagonismo do Estado de Goiás na coordenação do transporte coletivo metropolitano e estabelece bases mais sólidas para a sustentabilidade financeira do sistema e a melhoria contínua dos serviços prestados à população.

Em consonância com a deliberação aprovada pela CDTC, o Governo de Goiás teve aprovado, em segunda e última votação, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), o projeto de lei complementar que promove a reestruturação da própria CDTC e da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC). A proposta altera a Lei Complementar nº 169, de 29 de dezembro de 2021, que instituiu a gestão compartilhada do transporte coletivo, além de modificar a Lei nº 21.792, que trata da organização administrativa básica do Poder Executivo.

A CDTC é o colegiado de caráter normativo e estratégico responsável por aprovar planos, definir diretrizes e fiscalizar o sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (RMG). Já a CMTC exerce função administrativa e operacional, sendo responsável pela gestão e fiscalização da prestação dos serviços e pela execução das deliberações da CDTC.

Com a aprovação do projeto, a composição da CDTC passa de 10 para 15 conselheiros, com dois novos assentos para o Estado de Goiás, mais um para Goiânia e mais um para Aparecida de Goiânia e um para Senador Canedo. Sendo assim, o município de Senador Canedo passaria a contar com um assento permanente no colegiado, como forma de reconhecimento à relevância demográfica es estratégica da cidade, enquanto as cidades de Goianira e Trindade continuariam no esquema de rodízio equilibrado.

O texto aprovado também redefine a natureza institucional da CMTC, que passa a ser empresa pública metropolitana integrante da administração pública estadual, vinculada diretamente à Secretaria-Geral de Governo (SGG), órgão atualmente responsável pela coordenação do transporte coletivo, deixando de integrar a administração pública do município de Goiânia.

Com a nova configuração, a indicação do diretor-presidente da CMTC passa a ser de competência exclusiva do Governo de Goiás, encerrando o modelo anterior de rodízio com a Prefeitura de Goiânia. O município de Senador Canedo ficará responsável pela nomeação do diretor de fiscalização.

O projeto aprovado também autoriza a criação da Superintendência de Operações Metropolitana, no âmbito da CMTC, vinculada à Diretoria de Operações Intermunicipais. A função será exercida em regime de rodízio entre os municípios de Trindade e Goianira, com mandato de dois anos, garantindo participação técnica municipal e maior eficiência na gestão operacional do sistema.

A medida fortalece o comando institucional e o alinhamento estratégico à política estadual de mobilidade, em razão do protagonismo desempenhado pelo Estado na gestão do transporte coletivo e manutenção do subsídio à tarifa, que permitiu o congelamento do preço da passagem a R$4,30 por sete anos.

O objetivo das modificações é aperfeiçoar a governança, a gestão administrativa, a eficiência do serviço público, a segurança jurídica do sistema da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), e o controle do transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia (RMG). A mudança reflete o papel central que o Estado tem desempenhado na coordenação de políticas públicas metropolitanas.

Somente em 2025, o Governo de Goiás destinou cerca de R$ 500 milhões em subsídios ao transporte coletivo, viabilizando investimentos estruturantes por meio do Projeto Nova Rede Metropolitana do Transporte Coletivo (Nova RMTC), como a reconstrução dos terminais do BRT Leste-Oeste, a conclusão de 10 das 19 estações do corredor exclusivo e a entrega de aproximadamente 400 novos ônibus, equipados com ar-condicionado, câmeras de segurança e wi-fi, entre outras melhorias.

Composição
Na atual composição da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), o Estado detém participação paritária com o município de Goiânia na Rede Metropolitana do Transporte Coletivo, correspondente a 41, 2% cada; seguidos por Aparecida de Goiânia (9,4%); Senador Canedo (4,8%); Trindade (2,13%) e Goianira (1,26)%.

Com a aprovação do projeto, também serão redefinidos os percentuais de participação dos entes no custeio do sistema, condicionados à manutenção do subsídio do Programa Passe Livre Estudantil (PLE). Nesse cenário, a participação passa a ser de 47,6% para o Estado de Goiás, 36,7% para Goiânia, 8,4% para Aparecida de Goiânia, 4,3% para Senador Canedo, 1,9% para Trindade e 1,1% para Goianira, contemplando o pagamento proporcional do subsídio tarifário e a manutenção do programa estudantil.

Com a aprovação em segunda votação, o projeto segue para sanção do governador Ronaldo Caiado. Com a sanção, as novas regras passam a vigorar e a produzir efeitos a partir da publicação da lei.


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