Matérias
Divulgação
Este mês tem o poder de transformar qualquer pendência em um incêndio emocional. Tudo precisa ser resolvido antes da virada, como se o réveillon tivesse poder jurídico, espiritual e cósmico pra cancelar tudo
Coluna do Pablo Kossa: Não vamos resolver mais nada em dezembro, beleza?
20/12/2025, às 21:34 · Por Pablo Kossa
Chegou aquele momento do ano com cheiro de sexta-feira às quatro e meia da tarde. Ninguém quer mais trabalhar, todo mundo de olho no relógio esperando bater 18 horas. Só tocando a bola de lado e empurrando com a barriga. Dezembro tem esse timbre. Mas, ao mesmo tempo, vivemos uma correria desenfreada pra resolver tudo que não foi resolvido nos 11 meses anteriores.
O Barão Vermelho está certinho: por que a gente é assim?
Aqui cabe um parêntesis: exceção feita à Polícia Federal. Os caras estão trabalhando nervoso nesse final de ano. Jesus, é uma operação atrás da outra. Fecha parêntesis.
Todo ano é a mesma história. Chega dezembro e bate uma urgência coletiva por tudo aquilo que passou de janeiro a novembro muito bem esquecido, mas que agora resolve virar prioridade absoluta.
E dá-lhe enviar aquele documento que passou o ano empoeirando ao lado do computador, consertar o eletrodoméstico que está pifado há meses, encontrar os amigos que você não encontra desde o dezembro passado.
Este mês tem o poder de transformar qualquer pendência em um incêndio emocional. Tudo precisa ser resolvido antes da virada, como se o réveillon tivesse poder jurídico, espiritual e cósmico pra cancelar boletos, mágoas, e-mails não respondidos e promessas feitas.
A real é que a gente passa o ano inteiro protelando, tocando as pautas pro futuro. “Depois eu vejo” é uma resposta eficaz para a agenda cheia e cansaço gigante. Só que o depois chega e é justamente em dezembro que percebemos isso.
O fim do ano vem com uma pressão silenciosa para fechar ciclos. Parece que não basta comer a ceia, admirar os fogos e acordar com azia e resseca: é preciso zerar a vida. A planilha, o coração, a caixa de entrada do e-mail e, se possível, a consciência.
A gente sabe que não dá.
Correr pra resolver pendências agora não é eficiência: é ritual. Uma tentativa meio desesperada de convencer a nós mesmos de que o ano fez sentido.
Janeiro sempre chega cheio de promessas. E fevereiro, já logo ali, com o feriadão delícia do Carnaval. E no dezembro do ano que vem estaremos novamente correndo pra resolver as pautas que não resolvemos em 2026.
Vale repetir: por que a gente é assim?
Réveillon Dezembro Coluna Pablo Kossa Final de Ano Feliz 2026 2025 2026 Boletos


