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Goiânia, 13/01/26
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Heloísa agora é deputada federal. Tomou posse neste dia 16, substituindo o mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ), suspenso por seis meses

Coluna do Pablo Kossa: Brasília está pronta para a volta de Heloísa Helena?

19/12/2025, às 02:03 · Por Pablo Kossa

Heloísa Helena é uma das figuras mais peculiares da política brasileira. Agora ela está de volta à Brasília para ser deputada federal. Estou curioso pra ver no que vai dar. Ela é, como dizem, fogo na jaca. Coerente que beira a intransigência. Dura que beira a grosseria. Aguerrida que beira a ignorância. Respeitada que beira o isolamento. É muito difícil classificar a alagoana que milita nos últimos tempos no Rio de Janeiro.

 

Enfermeira e professora, iniciou sua carreira política em Maceió, onde se engajou em movimentos sociais. Foi vice-prefeita e depois deputada estadual. Sua postura crítica a projetou e a fez ganhar a eleição para o Senado Federal em 1998, pelo PT.

 

Tretou com meio mundo até receber cartão vermelho do partido de Lula em 2003, após votar contra a reforma da Previdência proposta presidente em seu primeiro mandato. Ela descumpriu a disciplina partidária e recebeu penalização disciplinar. Esse episódio levou Heloísa Helena e outros dissidentes do PT a fundarem o PSol em 2004.

 

É claro que ela arrumou confusão no partido que ajudou a fundar. Ela teve desentendimentos internos sobre alianças e posicionamentos eleitorais. Sofreu suspensão preventiva por ajudar Marina Silva na fundação da Rede Sustentabilidade, declarou publicamente apoio à candidatura presidencial da atual ministra do Meio Ambiente de Lula em detrimento da candidatura própria do PSOL, o que a deixou sem clima dentro do partido.

 

Acha que as brigas acabaram? Mas não mesmo. Filiada à Rede, as tensões dentro da sigla se acirraram, centradas em diferenças estratégicas e ideológicas entre a ala liderada por Heloísa Helena e a de Marina Silva. Em 2025, durante uma eleição interna da Rede, o grupo ligado a Heloísa saiu vitorioso, com forte apoio da maioria dos delegados em disputa pelo novo comando da legenda. Integrantes próximos de Marina chegaram a acusar o processo de ter sido conduzido de forma irregular, denunciando supostas fraudes e questionando a validade do pleito, o que gerou uma série de ações judiciais e uma disputa interna intensa.

 

Heloísa agora é deputada federal. Tomou posse neste dia 16, substituindo o mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ), suspenso por seis meses – o que ela considera uma injustiça enorme. E ela chegou chegando. Em seu primeiro discurso na Câmara, disse que sua atuação não será alinhada ao governo Lula e que manterá postura crítica sem “idolatria política”. Ela lembrou sua oposição histórica ao PT, citando o voto contra a reforma da Previdência de 2003 e disse que continuará a defender populações vulneráveis, combatendo privatizações e políticas que favoreçam o capital financeiro, o que considera “traição de classe”. Durante o discurso, também criticou duramente o governo de Jair Bolsonaro e afirmou que atuará sem servilismo ao atual Executivo, reafirmando seu compromisso com trabalhadores pobres, moradores de periferias, jovens, mulheres chefes de família e servidores públicos.

 

Ela mostra coerência, não há dúvidas. Como manteve essa característica ao longo das mais de três décadas de exercício político. Isso é louvável. O problema é que sua linha de ação é de uma irascibilidade que extrapola.

 

Lidar com Heloísa Helena não é mole. Não sei se Brasília está pronta para o retorno dela.


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