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Goiânia, 13/01/26
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Para Lisandro Nogueira, a possível fusão consolida um poder excessivo nas mãos da gigante do streaming, ameaça a sobrevivência das salas físicas e reduz a autonomia de mercados nacionais como o brasileiro

"O pior dos mundos": Professor da UFG analisa impacto da venda de ativos da Warner para a Netflix

18/12/2025, às 13:09 · Por Redação


A decisão da Warner Bros. Discovery de avançar em negociações com a Netflix em detrimento da Paramount acendeu um sinal de alerta no mercado audiovisual. 
Em entrevista ao Jornal Opção, o professor de Cinema da Universidade Federal de Goiás (UFG), Lisandro Nogueira, este movimento não é apenas uma transação comercial, mas uma "reorganização profunda" que pode levar a um monopólio sem precedentes.

Segundo o professor, a incorporação do catálogo da Warner e da HBO pela Netflix representa o "pior dos mundos". Com mais de 200 milhões de assinantes, a Netflix deixaria de ser apenas uma força dominante para se tornar a "dona das regras", centralizando decisões editoriais e fluxos de financiamento em uma única empresa.

“Se a Netflix comprar a Warner e a HBO, teremos um monopólio mundial ainda mais forte. Isso diminui empregos, reduz diversidade e concentra decisões editoriais em uma única empresa, que passa a definir o que será produzido, exibido e financiado”, afirmou.

O Impacto no Brasil e nas Salas de Cinema
Lisandro destaca que a estratégia das grandes plataformas tende a sufocar as salas de cinema tradicionais, que já enfrentam queda de público. O enfraquecimento das salas compromete uma cadeia econômica que envolve transporte, alimentação e milhares de empregos indiretos. No Brasil, o efeito é ainda mais severo no mercado de trabalho interno: atores, diretores e técnicos podem se tornar totalmente subordinados aos interesses de uma única plataforma global, com pouco oxigênio para o mercado independente.

A Guerra das Narrativas
Para o especialista, quem controla os catálogos históricos controla as narrativas. A concentração diminui o espaço para o contraditório e para produções que fujam da fórmula comercial das grandes plataformas. “Não é apenas uma disputa empresarial. Quem controla catálogos históricos e plataformas globais passa a controlar narrativas, empregos e fluxos econômicos”, conclui.

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