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Ferramenta atua como “leitor inteligente” de processos e passa a integrar a plataforma digital do Judiciário
IA criada pelo TJGO será lançada nacionalmente pelo CNJ nesta semana
17/12/2025, às 09:28 · Por Redação
Um sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) será lançado em âmbito nacional pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na próxima quinta-feira (18/12). A ferramenta, batizada de Berna, passa a integrar a Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro. O lançamento ocorre durante o evento Inteligência Artificial no Poder Judiciário e o Projeto Conecta, marcado para das 14h às 16h, no auditório do CNJ, em Brasília, com transmissão on-line.
Na prática, a Berna funciona como um “leitor inteligente” de ações judiciais. O sistema faz a leitura automática das petições iniciais, identifica processos com conteúdo semelhante e agrupa demandas que tratam do mesmo tema. A tecnologia permite localizar ações repetitivas, processos em grande volume, casos relacionados e situações que indicam uso excessivo da Justiça.
A ferramenta não substitui magistrados nem servidores e não emite decisões. O objetivo é organizar informações, apoiar o trabalho interno dos tribunais e contribuir para respostas mais rápidas e padronizadas à sociedade.
Para o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, a aplicação da inteligência artificial deve estar alinhada ao interesse público. “A tecnologia deve ajudar a organizar o trabalho e melhorar o atendimento ao cidadão. A Berna foi criada exatamente para apoiar o Judiciário e tornar a Justiça mais eficiente”, afirmou.
Desenvolvida em 2020 no próprio TJGO, a Berna passou a chamar a atenção do CNJ a partir dos resultados obtidos em Goiás e foi incorporada à estratégia nacional de inovação do Judiciário. Com a adoção nacional, tribunais de todo o país poderão solicitar acesso ao sistema por meio do Conselho, que ficará responsável pela coordenação e pelo uso da plataforma.
Segundo o juiz auxiliar da Presidência do TJGO e coordenador do projeto, Gustavo Assis Garcia, a ferramenta contribui para uma compreensão mais precisa do acervo processual. “Ela não julga ninguém. Apenas organiza os dados, identifica padrões e entrega informações qualificadas para que juízes e equipes possam trabalhar com mais segurança e agilidade”, explicou.
O diretor de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Estatística do TJGO, Antônio Pires, ressaltou que a integração ao CNJ amplia o alcance da tecnologia. “Agora, a Berna consegue analisar dados de tribunais de todo o país, identificando ações semelhantes que antes estavam espalhadas em sistemas diferentes”, disse.
Em Goiás, a utilização da ferramenta já apresenta resultados. No Juizado da Fazenda Pública Municipal de Goiânia, por exemplo, a triagem inicial de processos, que antes demandava cerca de quatro dias, passou a ser concluída em poucas horas. A partir dessas informações, o TJGO também desenvolveu sistemas próprios para automatizar rotinas internas e otimizar o trabalho das equipes.
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