Matérias
Divulgação
Ampliação eleva o número de sessões para cerca de 2.250 mensais e alivia a demanda na capital, que contava com 61 pessoas na fila
Santa Casa de Goiânia abre 3º turno de hemodiálise e retira 70 pacientes da fila de espera do SUS
16/12/2025, às 16:38 · Por Redação
A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia inaugurou nesta segunda-feira (15) o seu terceiro turno de hemodiálise, medida que deve absorver cerca de 70 pacientes que aguardavam vaga para o tratamento essencial na capital. Com a ampliação, a instituição eleva sua capacidade para aproximadamente 2.250 sessões mensais, atendendo exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Dados atualizados apontam que a fila de espera da capital por esse tipo de atendimento contava com 61 pessoas. O novo horário, que funciona das 16h30 às 20h30, acrescenta cerca de 980 sessões mensais à capacidade da Santa Casa, que antes realizava 1.270 sessões em dois turnos.
"A abertura desse terceiro turno ajuda a corrigir parte dessa defasagem," disse o secretário municipal de Saúde de Goiânia, Luiz Pellizzer, que explicou que a fila da capital é composta por pacientes não apenas de Goiânia, mas também de municípios pactuados e de outras regiões do estado.
O prefeito Sandro Mabel (UB) esteve presente no evento de lançamento e destacou a importância da parceria com a instituição filantrópica para reduzir a fila. "Nossa fila fica bem reduzida com esse terceiro turno. Estamos felizes em poder participar em conjunto com a Santa Casa," afirmou.
Custo Insuficiente e Esforço Financeiro
Apesar do alívio para os pacientes, a expansão do serviço exigiu um grande esforço financeiro e operacional da Santa Casa, que precisou contratar mais médicos, enfermeiros, técnicos e ampliar contratos de tratamento de água e insumos.
O superintendente-geral da Santa Casa, Irani Ribeiro, afirma que o valor de R$ 247,00, pago pelo Ministério da Saúde por sessão, é insuficiente. Um estudo interno aponta que o custo médio real por sessão é de R$ 313,18, resultando em um déficit de R$ 66,18 por procedimento que é arcado pela instituição.
Irani destacou que, embora o faturamento do serviço seja feito via recursos federais repassados pelo município, todo o investimento inicial partiu da própria Santa Casa.
"O Ministério paga a produção, mas até agora não houve incentivo adicional. Em outros lugares do País, secretarias municipais complementam o valor para viabilizar o serviço. Aqui, estamos bancando para não deixar pessoas sem atendimento," enfatizou o superintendente.
A situação é agravada por dívidas acumuladas do hospital, que somam, segundo a instituição, R$ 2.837.510,81 em valores pendentes de repasses municipais de produções anteriores.
Alívio para Pacientes
Para quem depende do tratamento, a ampliação significa segurança e qualidade de vida. Carlos Antônio Silva Moreira (36), em tratamento há seis anos, afirmou que o novo turno melhora a rotina: "Sem a hemodiálise, a gente não vive. Ter essa garantia muda tudo."
A aposentada Rosa Aparecida de Faria (59), que aguardava vaga há mais de dois meses após retornar de Palmas, expressou seu alívio: "Quando surgiu essa vaga no terceiro turno, foi um alívio enorme. A gente sente que agora vai ter continuidade, que não vai ficar à mercê da sorte."
Pagamento de Dívidas Atrasadas
Em entrevista, o secretário Luiz Pellizzer informou que a SMS vai pagar em 2026 os R$ 119,35 milhões referentes a dívidas de média e alta complexidade, incentivos de UTI e pagamentos a prestadores da gestão passada, que serão renegociados e quitados em cerca de 30 meses. Ele reiterou que a manutenção do decreto de calamidade na Saúde se deve a uma deficiência estrutural histórica e ao elevado passivo, que dificulta inclusive a compra regular de suprimentos junto a fornecedores.
Santa Casa Hemodiálise SUS
