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Estado atrai de três a cinco grupos por mês e negociações envolvem setores como indústria, tecnologia, mineração e agronegócio

Goiás recebe sondagens mensais de empresas asiáticas para novos investimentos

14/12/2025, às 09:37 · Por Redação

Goiás tem ampliado a presença no radar de investidores asiáticos e recebe, em média, de três a cinco empresas do continente por mês interessadas em possíveis aportes no estado. A informação é do Gabinete de Assuntos Internacionais e reflete uma procura que envolve indústrias automotivas, mineradoras, companhias de tecnologia e grupos ligados ao agronegócio.

O movimento consolida uma tendência observada desde o início do governo Ronaldo Caiado (UB). Em 2024, viagem do governador à China resultou no interesse de ao menos seis empresas em se instalar em Goiás. Parte dessas conversas avançou para tratativas formais, visitas técnicas ou implantação de unidades produtivas. Não há, porém, dados consolidados sobre o número total de empresas nem sobre os valores envolvidos, já que muitas negociações são mantidas sob confidencialidade, inclusive em razão da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ao jornal Opção, o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Sant’Anna Braga, diz que Goiás mantém aproximação constante com investidores chineses e de outros países da Ásia. Algumas empresas já operam no estado, como a WeiChai, em Itumbiara; a Sinomach, em Aparecida de Goiânia; além das parcerias da Caoa/Chery com o grupo chinês Changan, em Anápolis, e da Mitsubishi com a montadora chinesa GAC.

O secretário afirma que há negociações em diferentes estágios para projetos como a instalação de fábrica de carregadores e equipamentos elétricos, a construção de um aeroporto com investimento bilionário em Águas Lindas e novos aportes no agronegócio e na cadeia de proteínas. Também há tratativas no setor mineral, incluindo a proposta chinesa de compra da Anglo American. “Já temos várias empresas asiáticas funcionando em Goiás. Outras estão em conversação permanente, algumas confidenciais, envolvendo investimentos de grande porte”, disse.

A visita internacional mais recente ocorreu na sexta-feira (12), com representantes da PCI Technology Group Co., Ltda. Fundada em 1992 e sediada em Guangzhou, a empresa chinesa atua nas áreas de tecnologia e inteligência artificial, com soluções para transporte, cidades inteligentes e digitalização empresarial. O grupo conta com mais de 4.000 colaboradores e presença em mais de 40 cidades na China e no exterior.

Para o chefe do Gabinete de Assuntos Internacionais, Giordano de Souza, três fatores explicam a crescente presença asiática em Goiás. O primeiro é o peso do agronegócio. Cerca de 66% das exportações goianas têm como destino países asiáticos, principalmente a China, com destaque para soja, milho, carnes e minérios. “Eles veem Goiás como parceiro fundamental porque nossa produtividade é constante e o potencial de expansão agrícola é enorme”, afirmou.

O segundo fator apontado é a segurança jurídica e institucional. Segundo Giordano, políticas de segurança pública e estabilidade regulatória influenciam a decisão dos investidores. “A imagem do Brasil muitas vezes é associada à violência urbana. Quando eles chegam a Goiás, ficam impressionados com os níveis de segurança e com a capacidade institucional do governo.”

O terceiro ponto envolve incentivos e logística. Goiás está entre os três estados que mantiveram o Regime Automotivo após a Reforma Tributária, ao lado de Pernambuco e Bahia, o que reduz custos de produção. O estado também mantém relação institucional com a China desde o acordo de Estados-Irmãos firmado há mais de 30 anos, na gestão de Maguito Vilela.

Além da compra de commodities, empresas chinesas buscam investir diretamente na produção agrícola por meio de arrendamentos legais e parcerias com grupos brasileiros, além do beneficiamento de soja e milho no próprio estado. O objetivo é estruturar cadeias produtivas completas, com processamento local e envio de produtos já industrializados à Ásia, sem aquisição direta de terras, o que a legislação brasileira restringe.

O governo estadual tem intensificado a interlocução com embaixadas asiáticas, especialmente a da China. O Gabinete de Assuntos Internacionais atua como elo entre investidores e secretarias como Meio Ambiente, Economia, Educação, Cultura e Indústria e Comércio. “A proximidade institucional é fundamental para eles. Quando percebem nosso nível de transparência e acesso direto ao governo, sentem segurança para avançar”, disse Giordano.

Apesar da ausência de números fechados, a avaliação do governo é de que os investimentos em negociação são bilionários, sobretudo nos setores automotivo e mineral. “Se não houvesse essa interação constante, muitas dessas oportunidades não existiriam. Os asiáticos valorizam o diálogo direto, a segurança e a clareza. É isso que Goiás tem oferecido”, afirmou Joel Sant’Anna.


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