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Estudo inédito da Semad em parceria com a UFG usa imagens de alta precisão
Vegetação nativa nas bacias de rios importantes como o Meia Ponte chega a até 33% em Goiás
08/12/2025, às 09:45 · Por Redação
Um levantamento inédito realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), em convênio com a Universidade Federal de Goiás (UFG), revelou que as bacias dos rios Meia Ponte e dos Bois, na região Centro-Sul de Goiás, possuem apenas 25% de remanescentes de vegetação nativa. Em contraste, as bacias do Médio Tocantins e Paranã, no Nordeste, alcançam 33%.
O estudo faz parte do Atlas dos Remanescentes de Vegetação Nativa do Estado de Goiás, iniciado em dezembro de 2024. O objetivo é criar uma base confiável para subsidiar estudos de conservação, licenciamento e fiscalização ambiental no estado. Juntas, as bacias mapeadas até agora representam cerca de 33% do território goiano.
Diferenças de Formação e Alta Precisão
O Atlas demonstrou que as bacias do Meia Ponte e dos Bois contam com 12,5 mil quilômetros quadrados (km²) de remanescentes, com predominância de florestas secas e úmidas. Já nas bacias do Médio Tocantins e Paranã, a vegetação remanescente (36,5 mil km²) é maioritariamente composta por savanas secas e úmidas.
A geógrafa Elaine Silva, coordenadora do Lapig/UFG, explica que a predominância de formações é determinada pelo relevo. Na região Centro-Sul, onde predomina o planalto, há mais formações florestais, enquanto o Nordeste, mais montanhoso, tende a ter vegetação mais rala (savana).
O mapeamento da Semad é considerado uma ferramenta poderosa, pois utiliza imagens de satélites CBERS de alta resolução, alcançando um nível de detalhamento 20 vezes superior ao do MapBiomas Brasil, referência anterior. Isso permite mapear fragmentos menores e Áreas de Preservação Permanente (APPs) que não eram contabilizadas.
Risco de "Metástase" e Alerta de MP
Apesar da alta qualidade dos remanescentes mapeados no Meia Ponte e dos Bois, a análise da UFG destaca que muitas áreas estão "ilhadas" por pastagens e lavouras. Essa fragmentação faz com que a vegetação comece a perder suas características originais, afetando sua resiliência e biodiversidade.
O cenário é agravado pela pressão do avanço da ocupação, inclusive em terrenos acidentados do Nordeste, e pela recente aprovação da Medida Provisória (MP) 1308/25 pelo Senado. A MP, que cria a Licença Ambiental Especial (LAE) para empreendimentos estratégicos, é vista por ambientalistas como um risco.
"O que levamos quatro décadas para perder, pode se perder em uma década", alerta a geógrafa Elaine Silva, sobre o potencial impacto da MP no desmatamento.
Os resultados do Atlas serão usados pela Semad para orientar a emissão de licenças, análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a aprovação de reserva legal, que poderá subsidiar a formação de corredores ecológicos, ligando áreas verdes privadas a unidades de conservação.
O Atlas deve entregar todos os resultados do mapeamento das bacias goianas até setembro de 2026.
Bacia Meia-Ponte UFG


