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Goiânia, 13/01/26
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Reprodução/Spotify de Pablo Kossa

Foram 5.699 músicas, 239 álbuns, 1.536 artistas em um catálogo de 366 gêneros. Alô, Medina! Seu Rock in Rio não é páreo pra mim

Coluna do Pablo Kossa: Duvido que você ganhe de mim no Spotify Wrapped

07/12/2025, às 16:38 · Por Pablo Kossa

Sim, eu passo o dia inteiro ouvindo música. Sempre quando chega o momento do Spotify mandar seu Wrapped no começo de dezembro, fico de cara com meus números. É algo superlativo, muito além dos parâmetros.

A média mundial de consumo musical gira em torno de 20,7 horas por semana, algo como 2,9 horas por dia. O usuário médio do Spotify escuta cerca de 114 minutos diários, pouco menos de duas horas.

Eu, na humildade e no sapatinho, contribuo para subir muito essa média. O meu Wrapped chegou com pouco mais de 111 mil minutos de música. Equivalente a pouco mais de cinco horas diárias ou 77 inacreditáveis dias inteiros de som.

Coisa de doente da cabeça, né? Mas calma que piora.

São mais de 41 mil minutos de podcasts no ano. Por que diabos usar o silêncio quando existe o Ronca Ronca? Maurício Valladares e Nandão, muito obrigado pela generosa companhia.

Somado o tempo de podcasts e músicas, é como se eu tivesse dado play em janeiro e só pausado em abril.

Os algoritmos, coitados, tentaram me classificar. O Spotify me chamou de “Especialista”, o que é a forma educada da plataforma dizer: “Esse aqui não vive, ele faz imersão”. Ou “desliga essa merda e vá fazer outra coisa!”.

Foram 5.699 músicas, 239 álbuns, 1.536 artistas em um catálogo de 366 gêneros. Alô, Medina! Seu Rock in Rio não é páreo pra mim. Enquanto o resto do mundo varia entre pop, trap, reggae de resort e sertanejo, eu faço a volta ao mundo em infinitos sons. Pronto para um Enem musical.

O top 3 dos meus artistas mostra a dodeira total do meu ouvido: 5 a Seco, Zeca Baleiro e Bad Bunny. A música mais ouvida foi Vida Real da Ana Cañas, que, convenhamos, parece uma indireta para que eu largue o Spotify e caia dentro do vasto mundo além do aplicativo.

O diagnóstico de que minha idade musical é de 70 anos é interesssante. Para o Spotify, nasci em 1955 e estou preso nos sons do início da década de 1970. Faz todo sentido. Já estou mesmo mais pra lá do que pra cá e as obras lançadas nesse período têm lugar cativo no meu idoso coração.

Meus estilos preferidos foram Nova MPB e Rock Alternativo. Resquícios dos tempos de produção do Vaca Amarela junto da nostalgia da adolescência noventista guiada por Fábio Massari e Gastão Moreira na MTV.

No fim das contas, o Wrapped diz menos sobre o que ouvi e mais sobre quem sou: alguém que come com som, pensa com som, vive para o som. Música é companhia em tempo integral. O fundo que rola de forma inevitável em todos meus dias.

E não se esqueça dos momentos em que estou ouvindo meus vinis, meus CDS, rádio ou assistindo clipes e shows no Youtube. É muita música na cachola, meu velho.

Na boa, prefiro continuar assim. Viver sem música é triste demais. Vida real, não sei a Ana Cañas concordaria comigo, merece trilha sonora. O tempo todo.


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