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Goiânia, 29/11/25
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Divulgação - Secom Goiânia

Operação da PF e CGu investiga desvio de R$ 2 milhões no Samu durante gestão do ex-prefeito Rogério Cruz

Investigação aponta desvio de R$ 2 mi no Samu na gestão Rogério Cruz

29/11/2025, às 08:49 · Por Redação

A Operação Check-up 192, deflagrada nesta sexta-feira (28) pela Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal (PF), apura suspeita de fraudes em serviços de manutenção de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia. A investigação aponta desvio de mais de R$ 2 milhões entre 2022 e 2024, período da gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (Solidariedade). Quatro servidores efetivos da Prefeitura, entre eles o atual gerente de Transportes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), são investigados.

A PF e a CGU cumpriram nove mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia, com coleta de documentos e computadores na Central de Regulação do Samu, na Gerência de Transportes e em endereços ligados aos alvos. O caso envolve pagamentos federais feitos para manutenção da frota durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. A empresa responsável pela administração dos serviços, a Carletto Gestão de Frotas, recebeu R$ 8,62 milhões entre 2023 e 2025. Mais R$ 1,35 milhão está empenhado pela atual administração. A Carletto não é investigada, segundo a CGU, mas duas oficinas credenciadas pela empresa são alvo de apurações, além de uma oficina considerada clandestina e que seria ligada a um dos servidores.

A investigação teve início após relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), de janeiro de 2023, que apontou pagamento de despesas para ambulâncias inativas por até 17 meses. O documento registrou repasses para combustível, equipamentos e serviços para veículos que não atendiam o Samu. O órgão sugeriu devolução de R$ 2,13 milhões ao Fundo Nacional de Saúde. A CGU afirma haver indícios de superfaturamento, emissão de notas falsas e execução de reparos em estabelecimentos clandestinos. Segundo a auditoria, ambulâncias que deveriam estar inoperantes permaneceram custeadas com recursos federais.

Respostas
Ao jornal O Popular, a Secretaria de Saúde ainda não informou se os servidores investigados serão afastados. A tendência é que o gerente de Transportes, Alexandre Emanuel Rodrigues — fiscal do contrato com a Carletto desde 2023 — seja retirado da função até novas informações. A gestão do prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou que os fatos investigados são da administração anterior e que está “à inteira disposição para fornecer documentos e colaborar com os órgãos de fiscalização”.

Já o ex-prefeito Rogério Cruz declarou que não é investigado e que a PF apura irregularidades operacionais e administrativas envolvendo servidores. “Tais rotinas técnicas são de responsabilidade direta das áreas específicas da SMS”, disse em nota. E a Carletto afirmou desconhecer as suspeitas e declarou que a fiscalização das oficinas credenciadas é responsabilidade da Prefeitura.

Análise do MP-GO
As mesmas suspeitas haviam sido levadas ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) em 2022 pelo então vereador Mauro Rubem (PT). O inquérito foi arquivado em maio deste ano por falta de indícios de irregularidade. Em nota, o promotor responsável concluiu que os gastos eram compatíveis com a manutenção das ambulâncias, consideradas veículos de uso ininterrupto. 

O arquivamento tornou-se definitivo em julho, após duas tentativas de reabertura do caso. A frota atual do Samu é alugada. Segundo a SMS, o novo contrato já inclui manutenção, que não é mais responsabilidade da Carletto.


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