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Artigo de Luís César Bueno compreende a lógica de eleitoral histórica de Goiás mas se equivoca ao elencar os protagonistas
Coluna do Pablo Kossa: Petista acerta análise macro mas erra nos personagens
18/10/2025, às 00:01 · Por Pablo Kossa
O ex-deputado estadual Luís César Bueno publicou um corajoso artigo no jornal O Popular ( https://opopular.com.br/
Perspicaz no macro, equivocado nos protagonistas, creio eu. Não concordo que o bolsonarismo seja carta fora do baralho do Paranaíba pra cá, como interpreta o ex-deputado. Penso que essa força política ainda tem aderência para antagonizar como oposição principal a Daniel Vilela.
O PT tem história em Goiânia. Já elegeu por três vezes o prefeito da Capital. Em Goiás a situação é diferente. Os resultados eleitorais dos partidos são historicamente fracos. O melhor desempenho do partido em eleição estadual se deu no longínquo 2002, quando Marina Sant’anna teve pouco mais de 15% dos votos. Não por acaso essa foi a única vez que o PT venceu a eleição presidencial em Goiás.
Bueno reconhece o perfil conservador do eleitorado goiano. Fato. Sei que a palavra “polarização” está desgastada e gera interpretações díspares. Mas aqui a uso como uma disputa que fica restrita a basicamente dois grupos políticos. Não classifico como antagônicos de mesma distância no espectro ideológico. Apenas como o protagonismo de duas forças.
A esquerda nunca ocupou o espaço de um dos polos em Goiás.
Desde o Estado Novo, quando a esquerda viável eleitoralmente era o PTB, o centro era o PSD e a direita era a UDN, o PTB jamais elegeu governador. Podemos até abrir uma exceção se compreendermos o PMDB como força de esquerda frente ao PDS herdeiro da Arena/UDN. Eu não faço essa leitura ampliada. Coloco o PMDB oitentista no centro, já que o PT disputava eleições e era a força de esquerda – sempre com modestos resultados eleitorais.
Com a ascensão do Tempo Novo, a polarização permaneceu entre nomes de direita e centro. Mesmo com o PT na esquerda apoiando o Iris Rezende de centro, não foi o suficiente para bater os tucanos aliados à direita com o PFL de Ronaldo Caiado.
A derrocada de Marconi e do PSDB em 2018 reposiciona as peças do xadrez. Caiado ocupa o polo principal e o MDB permanece como o antagonista. O governador deu um passo sagaz e trouxe o MDB para seu arco político, estabelecendo uma aliança entre os antigos rivais UDN e PSD. Em 2022, vimos o centro ser representado por Gustavo Mendanha e a extrema-direita personalizada em Major Vitor Hugo.
O resultado bolsonarista para o Palácio das Esmeraldas não foi lá essas coisas. Mas o movimento teve uma grande vitória ao eleger Wilder Morais ao Senado. A pulverização de nomes da base do governador junto da soberba de Marconi, que rejeitou o apoio do PT, levou o inexpressivo Wilder à vitória.
Voltando ao texto de Bueno, ele lembra Mário Covas como exemplo. Justo. Em 1989, o tucano apoiou Lula no segundo turno mesmo quando sua base eleitoral paulista torceu o nariz para esta decisão. A história mostrou que Covas estava certo. O resultado do governo Collor é prova disso.
Marconi não teve a leitura política de Covas e comeu bola em 2022. O cavalo passou arreado e o tucano desperdiçou.
Bueno sugere ser possível que Marconi pegue o carro DeLorean do De Volta Para o Futuro e retroceda quatro anos. O que provavelmente daria certo na última eleição é improvável que funcione em 2026 – sempre lembrando do impossível que é contar a história que não aconteceu. E, pelas fala do ex-governador, parece que ele ainda não acha que o PT é boa companhia eleitoral.
Sob a perspectiva de Bueno, ele acerta ao procurar o melhor caminho para o partido em que milita. É do jogo.
Eu acho o caminho apontado errado. Parece humilhação ficar se oferecendo para quem lhe esnobou, o que Marconi já fez. Além disso, penso que política é também construção de futuro. Fabrício Rosa e Aava Santiago são os novos nomes da esquerda goiana que mostraram ter densidade eleitoral. Não seria melhor o PT usar 2026 não pra marcar posição, como historicamente faz em Goiás, mas tentar construir alguém com viabilidade para pleitos futuros?
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