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Goiânia, 15/11/19
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Com base em pesquisas recentes, clivadas por religião, ficou claro que os eleitores evangélicos estão divididos sobre o tema

Porte de armas: Vanderlan sofre com reação negativa de eleitores evangélicos

22/06/2019 · Por Eduardo Horacio

O Senado decidiu derrubar, na noite desta terça-feira, 18 de junho, o decreto do governo Bolsonaro que facilitava a aquisição e o porte de armas para várias categorias profissionais no país. Em uma sessão polarizada, o texto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi derrotado por 47 votos a 28. O que os senadores aprovaram foi um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) do senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) que anula o decreto.

Os senadores goianos Vanderlan Cardoso (PP) e Luiz Carlos do Carmo (MDB) votaram alinhados com Bolsonaro e a favor do texto original do decreto das armas. Ambos são evangélicos. Como foi votado nas urnas em 2018 e é conhecido dos goianos (Luiz Carlos do Carmo assumiu porque era suplente e segue desconhecido da maioria dos goianos), Vanderlan tem sofrido para explicar nas redes sociais seu voto: como é possível ser evangélico e ao mesmo tempo a favor do porte de armas?

Com base em pesquisas recentes, clivadas por religião, ficou claro que os eleitores evangélicos estão divididos sobre o tema – assim como os católicos e espíritas. Então, qualquer que fosse o voto de Vanderlan, ele sofreria críticas de um parcela grande do eleitorado. É o que acontece. 

O mesmo se dá com o senador Jorge Kajuru (PSB), o único goiano a votar contra Bolsonaro e contra o decreto das armas, preferindo o projeto do senador Vital do Rêgo, do seu partido – e, paradoxalmente, o próprio Kajuru já apresentou outro projeto, desta vez a favor do porte de armas, para tentar amenizar a reação negativa dos eleitores de Bolsonaro. 

O projeto atual, no entanto, ainda não está sepultado. A decisão segue agora para apreciação da Câmara dos Deputados. O decreto é contestado por parlamentares desde que foi assinado por Bolsonaro no dia 7 de maio. Vários pontos do Estatuto de Desarmamento pretendem ser alterados pelo texto do governo. Entre as mudanças mais criticadas, estão a facilitação para compra e posse – direito de carregar a arma consigo – para um conjunto de profissões, entre as quais caminhoneiros, advogados, políticos eleitos e jornalistas de cobertura policial.

Quem votou contra o decreto diz ter se baseado em pareceres técnicos da Câmara, do Senado e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal, que apontaram ilegalidades no texto. 



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