Poder Goiás
Goiânia, 24/08/19
Matérias
Divulgação

Diariamente o noticiário se reveza, quase sempre, entre confrontos entre policiais e suspeitos e apreensão de droga

De volta aos anos 90, polícias goianas passaram a priorizar combate às drogas na gestão Caiado

12/08/2019 · Por Pedro Lopes

Em todos os balanços desde que assumiu o governo no início do ano, o governador Ronaldo Caiado (DEM) tem destacado o combate às drogas como linha prioritária de sua gestão, como se fosse um governador dos anos 80 ou 90 e não de 2019. A explicação é simples: no Brasil conservador de agora, essa inclinação na política pública agrada boa parte do eleitorado, ainda que especialistas enxerguem como "enxugamento de gelo". 

Em entrevista ao programa Balanço Geral da TV Record, o governador foi questionado sobre as ações do Estado no combate à criminalidade e a apreensão de 400 quilos de cocaína, no interior de Goiás foi destacada pelo democrata. “Em cinco meses e dez dias, já apreendemos mais de 30 toneladas de drogas. Só daquele comprimido de ecstasy foram mais de 1,2 milhão. Agora foram mais 400 quilos na divisa de Itumbiara. Então, a todo minuto a nossa Polícia Militar está agindo com a Polícia Civil e a Polícia Federal”, destacou.

Diariamente o noticiário se reveza, quase sempre, entre confrontos entre policiais e suspeitos e apreensão de droga. Na terça-feira, 6 de agosto, uma equipe do Grupo de Patrulhamento Tático (GPT), da 35ª Companhia Independente da Polícia Militar foi Estado de Goiás (PM-GO), apreendeu mais 203 quilos de entorpecente, em Santo Antônio do Descoberto.  

Agora, dia 8 de agosto, seis pessoas ligadas ao tráfico internacional de drogas foram presas após conclusão da Operação Icarus, da Polícia Civil do Estado de Goiás (PC-GO) por meio da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic). As investigações começaram após o desaparecimento do piloto Bruce Lee Carvalho dos Santos, em dezembro de 2018.

Em julho, a Polícia Militar de Goiás (PM-GO) apreendeu cerca de duas toneladas de maconha, na cidade de Chapadão do Céu, localizada no Sudoeste goiano a 480 quilômetros da Capital. De acordo com a corporação, a droga estava em uma caminhonete, que foi roubada no Mato Grosso do Sul. A apreensão aconteceu durante um bloqueio de rotina, na G0-206.

Especialistas reconhecem que a droga é o principal problema de segurança do país, pois é o responsável pelo alto encarceramento e a guerra de facções, mas as prisões ainda ficam restritas às “mulas”(pessoas pagas para transportar os entorpecentes) e as fronteiras com países produtores, Bolívia e Colômbia, continuam livres tanto terrestre como pelo espaço aéreo. 

Somados ao enxugamento de gelo, o debate sobre a legalização de algumas substancias, como a maconha, foi paralisada pelo ambiente extremamente conservador no país e o Estado sequer superou a pauta da superlotação, herdada da gestão tucana passada. 

MP aciona ONU
Devido a superlotação na Casa de Prisão Provisória (CPP), com capacidade para 1.463 presos e com 3.019 detentos, o promotor de Justiça Marcelo Celestino acionou a Organização das Nações Unidas (ONU) para denunciar uma "violação de direitos humanos" decorrente da superlotação, na unidade que fica em Aparecida de Goiânia. 

O documento foi expedido em meio a uma batalha judicial sobre o tema. Inicialmente, o Ministério Público havia conseguido junto à Justiça a proibição da entrada de novos presos na unidade, justamente por, segundo apurou, comportar mais que o dobro da capacidade de presos.

Entretanto, o Governo de Goiás, responsável pela cadeia, entrou com recurso e conseguiu reverter a decisão, que libera o ingresso de detidos no local.

O promotor afirmou ao G1 que mesmo após a realização de várias reuniões para tentar equacionar o problema, o estado "nunca tomou qualquer tipo de providência" para respeitar os acordos.


Segurança Pública Ronaldo Caiado Drogas Combate às Drogas Narcotráfico