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Goiânia, 30/03/20
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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Em nota, contendo seis pontos, a UFG de Edward Madureira diz que “não se pode discutir o futuro das IFES sem antes enfrentar os desafios do presente”

Em nota oficial contra 'Future-se' de Bolsonaro, UFG se recusa a abrir mão de autonomia

02/08/2019 · Por Pedro Lopes

A opinião do reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, logo após o Ministério da Educação (MEC) lançar o programa Future-se foi endossado nesta quinta-feira, 01, em nota, pela própria universidade. 

Assim como o reitor, a UFG também diz que ainda é necessário muito debate com toda a comunidade acadêmica. Reitores de todo país afirmam que não foram convidados para debater o projeto "Future-se": "Soubemos na véspera", disse Dácio Matheus da UFABC. Em nota, contendo seis pontos, a UFG diz que “não se pode discutir o futuro das IFES sem antes enfrentar os desafios do presente” e que a proposta “possui diversos pontos ainda não detalhados ou explicitados de forma clara”. 

A gestão acadêmica também informou que “em conjunto com as unidades acadêmicas e entidades representativas dos três segmentos da UFG, realizará um seminário no mês de agosto”, ainda sem data confirmada. A nota também cita que há pontos inegociáveis, pois são claros na Constituição Federal, caso da autonomia universitária por serem “direitos conquistados pela sociedade brasileira”: “Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

"Outro ponto sobre o qual não se abre mão, conforme discutido no Conselho Pleno da Andifes, refere-se ao compromisso por parte do Estado de manter o financiamento do ensino superior público e que lutará por uma universidade pública, gratuita, de qualidade, inclusiva, laica e socialmente referenciada", conclui. 

 Future-se 
Após cortes nos investimentos das instituições federais, que provocou crises na Educação, a gestão Jair Bolsonaro propõe o Programa “Future-se” que prevê a criação de um fundo de R$ 102 bilhões para mudanças no financiamento de universidades públicas, alargando a margem para investimentos privados. Reitores, professores e especialistas criticam medida por viés privatizante.  

A Educação é a área mais nevrálgica no início da gestão Bolsonaro. Em seis meses já foram dois ministros no comando da pasta, Ricardo Vélez Rodrigues e Abraham Weintraub, o atual. A estratégia de confronto com a área, entretanto, foi mantida por Bolsonaro e o atual ministro. 


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